quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Five


Five


A hundred days have made me older,
Since the last time that I saw your pretty face
A thousand lies have made me colder
And I don't think I can look at this the same ♫♪


Uau. Era a única coisa que se passava pela minha cabeça enquanto Joe me mostrava sua casa. Quando a vi por fora a primeira vez ficou claro que era uma mansão bem grande e chique, mas foi só quando ele me mostrou os cômodos que percebi o quanto aquele homem era rico. A casa tinha pelo menos dez quartos, além de estúdio, sala de cinema, academia e uma piscina enorme no quintal, com sauna e tudo o que se tinha direito. E a casa era simplesmente linda, decorada com muito bom gosto.
Manuela me arrastou logo para que eu visse seu quarto, era enorme, paredes pintadas de rosa, muitos brinquedos e fotos. Ela me mostrou a sua tão adorada coleção de bonecas e não se cansava um minuto sequer, eu só conseguia sorrir enquanto a ouvia falar. Quando deu a hora do almoço, peguei-a no colo e fui perguntar a Tânia, a cozinheira sobre o almoço dela. Enquanto caminhava pela casa vi diversas fotos da família espalhadas e na maioria delas tinha uma mulher, que percebi logo que devia ser a esposa de Joe e a mãe de Manuela e Matthew, me perguntei o que teria acontecido com ela.
As empregadas de Joe, Clarissa e Tânia eram muito legais, me explicaram calmamente os horários das refeições de Manuela e que ela ainda não comia sozinha, portanto eu teria que dar comida a ela. Sentamos em uma mesa na cozinha e fiquei conversando com as duas enquanto dava comida a Manuela. 

__Vocês trabalham para o senhor Jonas há muito tempo?__ perguntei curiosa.
__Dez anos__ Clarissa respondeu.
__Seis__ disse Tânia sorrindo__ ele adora minha comida.
__E como ele é?__ eu quis saber__ eu não o conheço muito bem, essa proposta de emprego foi meio que... De surpresa.
__Ah, o senhor Jonas é um pouco sério e fechado, mas é uma ótima pessoa__ Clarissa me garantiu__ é bom, generoso, educado e um ótimo chefe, muito justo. Ele nos trata como se fossemos da família, é muito humilde para alguém tão rico.
__Rico__ eu dei uma risadinha, aquela palavra não era suficiente para explicar o tanto de dinheiro que ele devia ter.
__Com o tempo você se acostuma com tudo isso__ ela riu__ parece exagero no começo, mas ele gosta de dar o melhor pros filhos.
__E... E a mulher dele? A mãe do Matthew e da Manuela?__ perguntei sem conter a curiosidade__ é a mulher nas fotos não é? O que houve com ela? Eles são separados?
As duas se entreolharam, então um telefone começou a tocar na sala e Clarissa pediu licença para ir atender. Tânia me encarou e percebeu que eu ainda esperava pela resposta, estava realmente curiosa.

__Desculpe Demi, não falamos sobre a Senhora Jonas aqui__ ela sussurrou__ o senhor Jonas não gosta.
E se afastou para cuidar das panelas no fogão. Pelo visto era tudo que eu iria ouvir delas. Terminei de dar o almoço de Manuela e de comer o meu também, realmente Tânia era uma ótima cozinheira. Pensei que talvez Manuela fosse dormir um pouco depois do almoço, mas ela só parecia ainda mais agitada e queria brincar, mas não de bonecas e sim de pique esconde. Eu já estava um pouco velha praquelas coisas, mas topei mesmo assim, comecei a contar enquanto ela se escondia, ouvindo sua risadinha.

__Pronta ou não ai vou eu__ avisei.
Percebi por um momento que eu não avaliei bem a situação, a casa era simplesmente enorme e podia demorar muito para eu encontrá-la. Suspirei e comecei a minha busca, ela não estava no primeiro andar. A cozinha e a área de serviço estavam ocupadas pela Tânia e a Clarissa e o escritório estava trancado, já que o senhor Jonas estava lá com seu amigo Peter. Na academia não tinha como se esconder e nem no pátio, então fui para o segundo andar, lá tinha muitos quartos.
Olhei primeiro no dela e depois no meu, mas ela não estava lá. Então um por um resolvi tentar os quartos de hóspedes, até que pensei ter ouvido alguma vindo de um deles e resolvi entrar.

__Hum, onde será que a Manuela se escondeu?__ eu murmurei em tom de brincadeira.
Percebi que aquele quarto era diferente dos outros. As cortinas, a colcha da cama, não era de tons neutros como nos quartos de hóspedes, era estampada, cheia de vida, devia ter sido decorada por alguma mulher. Logo vi que tinham muitos porta retratos em cima da cômoda e num deles havia uma foto do casamento do senhor Jonas. Sua esposa tinha cabelos claros e lindos olhos cinza, assim como os de Manuela e ela sorria enquanto olhava para ele... Pareciam felizes.
Ouvi de novo um barulho e caminhei até o armário para ver se ela por acaso não tinha se escondido lá, mas quando abri a porta não havia ninguém, apenas roupas... Roupas de mulher. Muitos vestidos, saias, blusas, bolsas, sapatos. Havia coisas muito lindas ali e acabei me distraindo de novo enquanto olhava, tanto que não ouvi quando entraram no quarto.

__O que está fazendo aqui?__ a voz veio alta e zangada.
Assustei-me, dando um salto pra trás e arregalando os olhos ao ver o senhor Jonas parado ali me encarando.
__Perguntei o que está fazendo aqui__ ele repetiu.
Mas fiquei paralisada com o susto e não consegui responder nada.
__Como foi que entrou aqui em?__ ele continuou falando em tom rude quando eu não respondi__ quem te deu o direito de bisbilhotar? Isso é invasão de privacidade, não quero mais ver você aqui está ouvindo?
__Sim senhor, eu sinto muito, eu... __ gaguejei.
__Quer fazer o favor de sair?__ ele apontou pra porta.
Ouvimos um barulho então, nós dois olhamos pra baixo ao mesmo tempo e vimos Manuela. Ela estava escondida embaixo da cama, tinha posto só a cabeça para fora, meio coberta pela colcha da cama, e olhava para nós dois com os olhos arregalados. O pai pareceu se acalmar um pouco quando a viu ali nos olhando.
__Vem querida__ eu a peguei no colo, a tirando no chão e sai apressada de dentro do quarto.
Carreguei Manuela comigo até a sala e a pus sentada no sofá. Ótimo, eu seria demitida no primeiro dia, Joe parecia realmente irritado ao me ver dentro daquele quarto. Esperei pelo que pareceu uma eternidade até que ele descesse e viesse ao nosso encontro.

__Senhor Jonas__ eu disse apressada assim que ele entrou na sala__ eu não queria irritá-lo nem desrespeitá-lo, eu sinto muito, eu estava brincando de pique esconde com Manuela, só fui procurá-la, não quis bisbilhotar, eu juro que...
__Hey__ ele ergueu as mãos pedindo que eu parasse e eu me calei__ está tudo bem. Eu é que lhe devo desculpas pela minha grosseria, não foi nada educado da minha parte gritar com você.
__Mas o erro foi meu, não devia ter entrado no quarto e...
__Você não sabia__ ele me acalmou__ está tudo bem, de verdade. Desculpe minha explosão, é que não gosto que ninguém entre naquele quarto, a porta fica sempre trancada, eu devo ter esquecido. Está tudo bem, não foi culpa sua.
Suspirei aliviada por estar tudo bem, mas como era de se esperar não consegui segurar minha língua.
__Era o quarto da sua esposa?
Assim que perguntei me arrependi, foi só olhar para ele, ver a expressão no seu rosto e o vazio nos seus olhos.

__Me desculpe, isso não é da minha conta__ falei envergonhada__ eu sinto muito.
__Está tudo bem__ ele disse calmo, respirou fundo uma vez antes de voltar a falar, mas eu não esperava que ele realmente respondesse a minha pergunta__ era o quarto onde eu dormia com minha esposa. Eu o mantenho trancado desde que ela se foi.
__O senhor é divorciado?__ porque seria muito estranho ele manter todas as coisas dela mesmo depois do divórcio, mas claro que eu não disse isso em voz alta, e mesmo antes que ele respondesse, eu acho que sabia o que ele diria.
__Ela morreu, pouco mais de três anos atrás__ ele sussurrou__ ela tinha câncer.
Senti-me subtamente uma estúpida e corei envergonhada.
__Eu sinto muito.
__É, eu também__ ele desviou os olhos e fitou Manuela que continuava sentada no sofá nos olhando em silêncio__ podemos esquecer o ocorrido?
__Claro, prometo que não vai se repetir senhor. 

__Não precisa me chamar de senhor__ ele disse__ pode me chamar de Joe.
Eu apenas dei um meio sorriso, ele se desculpou mais uma vez por ter gritado e então sumiu na direção do escritório. Eu finalmente tinha saciado minha curiosidade, mas me senti mal por ele e pelos filhos, não devia ser fácil perder alguém assim. Não achava que guardar as coisas dela dentro de um quarto fosse ajudar em alguma coisa, mas cada um tinha seu jeito de superar as dores, eu sabia bem como era difícil desapegar. 

__Tudo bem Demi?__ Manuela me olhou curiosa.
__Tudo bem princesa__ eu sorri pra ela__ vamos voltar a brincar.

Depois do episodio do pique esconde Manuela pareceu se acalmar e ficou mais quietinha, desenhou um pouco, quis passear no jardim e pediu até que eu lesse uma história pra ela. Não vi Matthew o dia todo, ele se trancou no quarto depois da escola e não saiu mais, assim como Joe que se trancara no escritório, só ouvi o barulho de um carro quando seu amigo Peter foi embora.
Tive um tempo durante à tarde para ir até o meu novo quarto e arrumar minhas coisas. Era um quarto grande e bonito, aconchegante, Manuela até me ajudou, me entregando as roupas enquanto eu as punha no lugar. Ela estava sempre feliz, alheia a qualquer problema ou coisa ruim... Eu gostava disso nela.
Quando anoiteceu ela finalmente se cansou. Depois de jantar, tomar um banho e escovar os dentes fui botá-la para dormir e foi ainda mais difícil do que todo o resto que tive que fazer durante o dia, não importava o que eu fizesse ela não dormia embora fosse perceptível que estava muito cansada.

__Porque não dorme princesinha? Já está tarde__ eu murmurei acariciando seus cabelos, estava sentada na beirada da cama dela.
__Não adianta, ela não vai dormir sem a canção.
Virei-me surpresa ao ver que não estava sozinha, e vi Matthew escorado na porta do quarto nos observando.
__Que canção?__ perguntei confusa, me levantando da cama.
Ele não respondeu, só caminhou até a cama e eu me afastei para ver o que ele faria. Ele se sentou no meu lugar, bem na beirada da cama ao lado dela e com uma voz incrivelmente suave e gentil começou a cantar. Eu apenas fiquei parada observando.

__Brilha lindo sol, brilha estrelinha, brilha linda flor, que amanhã é um novo dia__ ele acariciava os cabelos dela enquanto cantava, sorrindo, não parecia o adolescente mal humorado que eu vi mais cedo__ Voa passarinho, voa beija-flor, voa pelos céus, espalhando amor. Corre riozinho, corre para o mar, leva os peixinhos para passear.
Os olhos dela começaram a pesar enquanto ele murmurava a canção.

__Dança bailarina, dança sem parar, com seus sapatinhos, sempre a encantar. Sorria, sorria princesinha, sorria que amanhã é um novo dia, cheio de amor, cheio de alegria, sorria amanhã, amanhã é um novo dia.
Quando ele terminou de cantar, ela já estava dormindo, linda e tranquila como um anjinho. Sorri impressionada enquanto via-o dar um beijo na testa dela, terminar de cobri-la com todo cuidado e então se levantar e vir até mim. 

__É uma canção bonita__ comentei em um sussurro para não acordá-la.
__Minha mãe compôs quando Manuela nasceu__ ele disse no mesmo tom__ ela era boa nisso, cantava, compunha e tocava também, adorava música. Ela cantava essa canção pra Manuela toda noite antes de ela dormir, quando ela não podia meu pai cantava em seu lugar, ou até eu... Às vezes até faziam showzinho juntos.
Ele riu, tinha o olhar distante como se estivesse lembrando.

__Acho que em algum momento ela acostumou__ ele deu de ombros__ não consegue dormir se não cantarmos a canção. Como meu pai não suporta mais ouvir ninguém cantá-la desde que a mamãe morreu, a tarefa sobra pra mim ou pra uma das milhares de babás que ele está sempre contratando.
Percebi como a voz e a expressão no rosto dele mudava enquanto ele falava do pai, parecia cheio de mágoa.

__Sente muita falta dela?__ perguntei__ da sua mãe?
Ele desviou os olhos de Manuela e me encarou por um momento, era a mistura perfeita do pai e da mãe. Tinha os cabelos mais claros da mãe, ao contrário de Manuela que tinha cabelos negros. Tinha os mesmos olhos cinza penetrantes, mas os traços do rosto eram todos de Joe, traços fortes e bonitos... E zangados também. Ele pegou uma moldura na parede e me entregou.

__É a letra da canção__ ele murmurou rudemente__ se esquecer do ritmo pode perguntar pra Clarissa ou a Tânia, elas sabem.
E então saiu do quarto sem dizer mais nada. Acho que isso significava que os sentimentos dele não eram da minha conta. Fiquei mais um tempinho ali no quarto observando Manuela dormir até que o cansaço também me alcançou, sai sem fazer barulho, fechando a porta e encontrei Joe no corredor.
__Ela já dormiu__ avisei.
__Te ensinaram a canção?__ ele perguntou.
__Matthew me mostrou__ concordei, ia dizer mais alguma coisa, mas corria o risco de zangá-lo de novo e preferi ficar calada.
__Ela te deu muito trabalho?
__Ela é cheia de energia__ sorri lembrando das coisas que fizemos durante o dia__, mas é um amor.
__Ela puxou a mãe__ ele disse__ Rachel também era cheia de vida.
Eu não soube o que responder então fiquei quieta, ele pareceu perceber minha exitação.
__Não precisa ficar com medo de mim__ Joe disse.
__Eu não estou__ neguei envergonhada.
__Não queria que tivesse a impressão errada de mim mais cedo.
__Eu entendo, não precisa se desculpar.
__Entende?__ ergueu a sobrancelha como se duvidasse de mim.
Eu entendia melhor do que ele pensava. Obviamente minhas dores eram diferentes das dele, nem dava para comparar, mas eu sabia como grandes decepções podiam mudar uma pessoa, deixá-la amarga, sabia como doía mexer na ferida e era como era difícil superar.
__Boa noite__ eu disse simplesmente.
__Boa noite__ ele respondeu.
Entrei no meu novo quarto, troquei de roupa e deitei na cama. Olhei para o teto um bom tempo antes de o sono finalmente chegar. 

Four


Four



You have a hollowed out heart
But it's heavy in your chest
I've tried so hard to fight it but it's hopeless
Hopeless (hopeless) 
You're hopeless ♫♪


Olhei no meu relógio, era o horário de almoço. Eu tinha chegado à empresa mais cedo aquela manhã para poder adiantar o trabalho e sair mais cedo. Peter dizia que eu era estúpido por me preocupar com isso, como eu era o dono da empresa não precisava me preocupar com atrasos, mas ao contrário dele, eu gostava do meu trabalho. A questão era que Demi, a nova babá de Manuela começaria o trabalho hoje e eu queria estar em casa para recebê-la, acho que era o mínimo que eu podia fazer já que ela quase morrera para salvar a minha filha, sem nem ao menos conhecê-la direito. 

__Selena, eu estou indo pra casa__ avisei trancando a porta do meu escritório__ não vou voltar mais hoje, vou terminar o trabalho em casa mesmo, então se tiver alguma coisa importante pode me encontrar lá.
__Tudo bem, qualquer coisa eu aviso.
__Ah, você... Procurou aquilo que eu te pedi?
__Claro, está aqui__ ela concordou me entregando uma pasta__ até amanhã Joe.
__Obrigada, até amanhã Selena.
Caminhei até o estacionamento, estava abrindo a porta do carro quando Peter apareceu.
__Hey Joe, que tal um almoço no restaurante novo que abriu ali em frente?__ ele sugeriu se escorando no meu carro.
__Obrigada, mas não, eu tenho que ir pra casa, tenho um assunto pra resolver.
Esperei que ele saísse da frente para eu poder abrir a porta, mas ele ficou lá, de braços cruzados me olhando.
__A nova babá começa hoje e eu quero estar lá para recebê-la__ expliquei com um suspiro.
__Agora sim você disse o que eu queria saber__ ele sorriu__ posso ir junto?
__Por quê?
__Eu preciso de um motivo?__ ergueu a sobrancelha.
__Pode fazer o que quiser se sair da minha frente.
__Ótimo__ ele puxou a chave da minha mão__ eu dirijo.
__Você tem o seu carro Peter.
__Mas o seu é melhor__ ele me empurrou gentilmente para o lado e entrou, sentando no banco do motorista__ vamos logo.

Eu precisava de muita paciência para lidar com o Peter. Engoli o mau humor e entrei no carro, sentando no banco do passageiro e pondo o cinto. Eu odiava andar de carro com o Peter, ele era meu melhor amigo, mas dirigia como um maluco, ou um adolescente numa das aquelas corridas de carro estúpidas, ele parecia estar sempre com pressa... Eu já perdi um carro assim. 

__Pode ir com calma, por favor?__ eu pedi__ eu gosto muito desse carro.
__Relaxa e aproveita a viagem__ ele abriu aquele enorme sorriso debochado que eu odiava tanto__, mas fala ai, como é essa babá que você contratou? É gostosa?
__Cara, você é casado... E tem dois filhos__ o lembrei.
__Eu não pedi pra transar com ela, só perguntei como ela é, puritano__ revirou os olhos__ e não é por mim que eu pergunto.
__Não vai começar né? Eu te jogo pra fora desse carro__ avisei.
__Não seja chato Joe, você é homem, está sozinho, precisa de companhia.
__Eu não vou ter essa discussão com você de novo, se continuar falando vou apenas ignorá-lo.
__Tudo bem, tudo bem, eu já parei__ ele disse__ eu desisto.

Desde que minha esposa Rachel, mãe dos meus filhos, morrera por culpa do câncer há pouco mais de três anos, minha família e amigos tentavam me arrumar uma nova namorada, diziam que eu era jovem demais para passar o resto da vida sozinho e Peter era o pior de todos, pior até do que minha mãe. Ele não aguentava me ver sozinho e vivia me arrumando encontros, a maioria deles eu era obrigado a aceitar para evitar discussões e sermões, mas nunca dava em nada.
Rachel foi à mulher da minha vida, a única mulher que tive e mesmo que ela não estivesse mais comigo, eu sempre a amaria e sabia que nenhuma mulher no mundo poderia substituí-la. Eu não precisava de uma nova mulher, eu tinha minha casa, meu trabalho e meus filhos e estava bem assim. O caso é que não importava o quanto eu explicasse, ninguém conseguia me entender. Eles não entendiam que o vazio não meu coração não dava para ser preenchido, por mais que tentassem.

__Sério, como é essa babá?__ Peter perguntou agora sério__ pensei que tivesse dito que não tinha mais babás disponíveis na agência. Cláudia não era a última?
__Não é uma babá da agência__ eu expliquei__ lembra da mulher que eu te falei? A que ajudou a Manuela no parque?
__Lembro sim, o que tem?
__É ela, eu a contratei como babá.
__Você ta brincando?__ ele riu__ logo você, todo certinho, contratou uma mulher que nem conhece direito para cuidar da sua filha?
__Eu sei que não é muito a minha cara, mas ela salvou a vida da minha filha__ dei de ombros__ e por algum motivo a Manuela simplesmente a adora, não para de falar nela um minuto sequer. Achei que não teria problema, ela me pareceu uma pessoa honesta, eu lhe ofereci qualquer coisa que quisesse como forma de agradecimento e ela recusou.

__Interessante.
__De qualquer forma, pedi hoje de manhã pra Selena puxar a ficha dela__ mostrei a pasta na minha mão__ Se tiver alguma coisa errada eu vou saber.
__Então olha, eu quero saber__ ele sorriu de lado.
Abri a pasta, tinha uma pequena foto dela no canto. Enquanto Peter dirigia, comecei a folhear as páginas, não tinha muita coisa.
__Então o que diz ai?

__Ela tem vinte e nove anos, mora sozinha com a mãe, não tem irmãos__ eu disse enquanto lia__ se mudou para a cidade há um mês mais ou menos. Já trabalhou como babá algumas vezes, como vendedora em uma loja de roupas e como secretária em uma pequena empresa. Segundo grau completo, faculdade de jornalismo e fotografia.
__Olha, ela tem faculdade de jornalismo e fotografia e trabalha como babá?
__Bem, nem sempre conseguimos aquilo que queremos.
__Verdade, mas você tinha razão, ela parece boa pessoa, nada de errado na ficha e... __ ele esticou um pouco a cabeça para olhar a foto dela na pasta__ é bonita. Parece que fez um bom negócio senhor Jonas.
__Cala a boca e dirige Peter__ revirei os olhos.

O lado bom foi que Peter se comportou o resto do caminho e não fez mais nenhum comentário inapropriado. O lado ruim é que ele continuou dirigindo como um maluco e me deu um bom susto pelo menos duas vezes, mas com sorte conseguimos chegar em casa inteiros. Chegamos na hora em que Arthur estava saindo para buscar Matthew e Manuela na escola. 

__Acabei de deixar a senhorita Lovato e estou indo buscar as crianças.
__Tudo bem Arthur, obrigado.
Entramos na casa e encontrei Demi parada na sala, com as malas no chão aos seus pés, olhando tudo com curiosidade. Clarissa e Tânia estavam ali para lhe atender e elas conversavam distraidamente.
__Oi Demi, que bom que veio.
__É, obrigada por mandar seu motorista me buscar, não precisava, eu podia ter vindo de táxi.
__Não foi nada. Hã, esse aqui é meu amigo Peter__ apresentei__ Peter, essa é Demi.
__É um prazer__ ele a cumprimentou educadamente, mas tinha aquele sorriso no rosto e segurei a vontade de revirar os olhos.
__Clarissa pode, por favor, levar as malas da Demi até o quarto dela? Eu e o Peter vamos lhe mostrar a casa.
__Sim senhor__ ela concordou, ela pegou uma mala, Tânia pegou outra e as duas saíram.

__Bem, você já conheceu Clarissa e Tânia, minhas empregadas, se precisar de alguma coisa ou tiver alguma dúvida e eu não estiver por aqui pode falar com qualquer uma delas, que vão te ajudar__ eu expliquei__ também já conheceu Arthur, meu motorista, e Gordon o segurança. Se alguma vez precisar ir a algum lugar é só falar com eles.

__Tudo bem__ ela concordou.
Gordon, meu segurança que ficava sempre no portão vigiando quem entrava e saía, estava mais dedicado depois do incidente em que Manuela fugiu de casa sem que ninguém visse. Eu tinha pedido a Matthew que cuidasse dela, já que ele não tinha compromisso aquele dia, mas pedir um favor a ele era o mesmo que falar com a parede, e Gordon tinha saído um minuto do posto para atender um telefonema, o que acabou possibilitando a fuga. Eu não o culpei pelo ocorrido, mas ele se sentia mal mesmo assim e agora estava mais alerta do que nunca.

__Me acompanhe por favor__ eu pedi.
Enquanto caminhávamos pela casa, para que eu lhe mostrasse tudo, Peter resolveu puxar assunto com ela.
__Então Demi, se onde você é?__ ele perguntou.
__Dallas__ ela respondeu__ Texas.
__E está gostando da nova cidade?
__A cidade aqui é muito bonita__ ela disse sorrindo__ ainda não tive tempo de ver muita coisas, mas já estou adorando.
__Quem sabe não fazemos um tour um dia desses?__ ele se ofereceu.
__Então__ eu interrompi__ aqui fica a cozinha, você pode se sentir a vontade para pegar o que quiser, mas quem manda por aqui é a Tânia, nossa cozinheira, ela vai te explicar depois sobre a alimentação da Manuela, os horários e tudo.
__Ok__ ela concordou.

Continuamos caminhando enquanto eu lhe mostrava o resto do primeiro andar, a sala de jantar, a área de serviço, o banheiro, a biblioteca, meu escritório e a pequena academia. E do lado de fora também, o jardim, a área da piscina e todo o pátio. Foi quando Matthew e Manuela chegaram.

__Demi__ Manuela gritou quando a viu e correu em sua direção, se jogando no seu colo__ você veio.
__Oi princesinha, que bom ter ver de novo.
__Quem é essa?__ Matthew perguntou a olhando sem muito interresse, naquele seu tom super educado que eu não ainda não descobri com quem ele aprendeu.
__Demi, esse é o meu outro filho Matthew__ apresentei__ Matt, essa é a nova babá de vocês.
__Você quer dizer babá da Manuela né?__ ele me encarou sério, querendo me intimidar com aquele jeito, mas não dava certo.
__Ela vai ficar de olho em você também.
__Eu tenho dezessete anos, não preciso de uma babá__ ele resmungou indignado.
__Então pare de agir como uma criança e não terei mais que mandar vigiar você.
Ele bufou irritado, resmungou alguma coisa que concerteza foi melhor eu não ter entendido e subiu correndo para o quarto.
__Perdoe a falta de educação do meu filho__ eu pedi envergonhado.
__Não tem problema__ ela sorriu.

Peter estava quieto atrás de mim só segurando o riso, eu começava a me arrepender de ter trazido ele comigo. Depois disso subimos para que eu lhe mostrasse o segundo andar, enquanto Manuela tagarelava para ela sobre como tinha sido o seu dia na escola. Ela ouvia tudo com um enorme sorriso no rosto, como se realmente fosse a conversa mais interessante do mundo. 

__Aqui em cima ficam os quartos__ eu disse quando paramos no meio do corredor__ ali é o do Matthew.
A porta do Matthew tinha muitos adesivos e desenhos do lado de fora que ele colocara para enfeitar, mas o que mais chamava a atenção era uma placa que ele fizera que dizia: Seja Bem vindo. Menos o papai. Ele achou que ia conseguir me irritar com aquilo, mas eu simplesmente ignorei, como costumava fazer com muitas das gracinhas que ele aprontava.

__Ali fica o da Manuela__ continuei enquanto ouvia Peter dar um risinho, o de Manuela também tinha adesivos na porta, mas eram flores e borboletas, ela pelo menos gostava de mim__ o seu fica bem ao lado. Ali na frente o meu e o os outros são quartos de hóspedes.
Mostrei também o resto do segundo andar. A sala de cinema, que eu mandei construir por causa do Matthew, ele adorava trazer os amigos para fazer sessão de cinema em casa. Tinha também um estúdio, com todos os instrumentos que se têm direito, Matthew sabia tocar todos eles, eram um dom que ele herdou de mim e da mãe, assim como eu, Rachel adorava música, tinha uma linda voz e muito talento. Eu incentivava isso no Matthew, que ele seguisse o sonho e não fizesse o que eu fiz. Tinha também uma sala de jogos e mais um banheiro.

__Sua casa é muito linda__ ela elogiou.
__Obrigada.
__Demi, deixa eu te mostrar o meu quarto?__ Manuela disse.
__Claro princesa.
__Eu vou deixar vocês, tenho trabalho a fazer, fique a vontade.
__Obrigada.

Manuela a arrastou em direção ao seu quarto e Peter me seguiu até meu escritório. Ele se acomodou como sempre, sem precisar de convite, sentando em uma cadeira e apoiando os pés na mesa, eu ignorei o gesto, não adiantava nada discutir com ele mesmo.

__Meu aniversário de casamento está próximo__ ele comentou__ não faço ideia do que dar de presente para Molly, você podia me ajudar a pensar em alguma coisa.
__Você quer que eu te diga o que deve dar de presente para sua esposa?__ o encarei sério__ ta brincando comigo né?
__Só uma ideia, eu estou desesperado__ ele fez careta__ Molly sempre me dá dicas do que vai querer de presente, todos os anos é assim, eu só preciso ir lá e realizar o desejo dela. Mas esse ano ela não falou nada.
__Talvez ela queira que você a surpreenda.
__Sou péssimo com surpresas. Vamos... O que você costumava dar de presente pra Rachel?
Eu me mexi na cadeira, ficando desconfortável, não gostava de falar sobre a Rachel, algumas lembranças eram dolorosas demais e faziam à saudade ser pior. Na maior parte do tempo eu gostava de fingir que não tinha acontecido nada, era o meu jeito de lidar com a dor, Peter sabia bem disso, mas algumas vezes ele se esquecia de ser delicado.
__Desculpe, eu não...

__Tudo bem, não tem problema__ o interrompi e respirei fundo uma vez__ lembro do ultimo aniversário que comemoramos, eu não dei apenas um presente, Rachel não gostava disso, ela gostava de ser surpreendida, então fiz várias coisas. Comecei com um café da manhã na cama, que eu mesmo preparei. E eu não pude faltar o trabalho aquele dia, mas lembro que lhe mandei flores e deixei vários bilhetes espalhados pela casa para que ela encontrasse durante o dia. E a tarde, pouco antes de eu voltar do trabalho lhe mandei um presente, um vestido novo e uma lingerie.
__Interessante.
__Quando cheguei do trabalho fomos jantar no restaurante favorito dela. Deixamos Peter e Manu com a minha mãe e eu reservei um quarto num hotel. Ficamos acordados a noite toda, até vimos o pôr do sol juntos. Foi uma noite incrível.
__Você sempre soube como agradar as mulheres.
__É um dom__ forcei um sorriso__ fazemos o seguinte, deixo você copiar a minha ideia se me deixar trabalhar em paz.
__Está me expulsando da sua casa?
__Recebi uma proposta para uma nova campanha e quero analisar com calma. Se quiser me ajudar pode ficar, se não... __ apontei para a porta.
__Tudo bem, eu te ajudo, posso ser prestativo quando quero.
Então o resto do dia ficamos no meu escritório trabalhando e ele realmente conseguiu se comportar. 

Three


Three



He was given the world
So much that he couldn't see
And she needed someone to show her
Who she could be ♫♪

Virei-me na frente do espelho, analisando com cuidado minha roupa. A saia de cintura alta, a blusa cinza e o blazer por cima, eu tinha que parecer elegante hoje, ia ser minha terceira entrevista de emprego e eu precisava muito conseguir aquele trabalho. Depois de vários minutos de indecisão finalmente decidi que estava pronta, peguei minha bolsa e fui me despedir da minha mãe.

__Me deseje sorte__ eu disse nervosa, ajeitando insistentemente o cabelo.
__Não precisa ficar nervosa, você vai se sair bem__ ela me deu um beijo__ tenho certeza que hoje você vai conseguir um emprego.
__Obrigada mãe__ sorri um pouco mais confiante__ vou sair um pouco mais cedo, assim não corro o risco de me atrasar.

Ela me desejou boa sorte e eu saí de casa e peguei um táxi, já que infelizmente não tinha o meu próprio carro. O lugar da entrevista de hoje era na mesma rua da ultima empresa que eu fui, então já estava familiarizada com o local, mas como saí de casa mais cedo, acabei chegando cedo lá. Resolvi caminhar um pouco para tentar espantar o nervosismo e quando dei por mim estava de novo naquele parque, sentada em um dos bancos, apreciando aquela manhã maravilhosa.
Estava distraída, olhando no relógio para me certificar de que não perderia a hora da entrevista quando ouvi uma voz me chamar. 

__Demi__ era uma voz fina, manhosa... Uma voz de criança__ Demi.
Olhei em volta tentando descobrir quem é que estava me chamando. Demorou um minuto para que eu avistasse do outro lado da rua acenando pra mim. Era Manuela, a menina que conheci no parque e ajudei alguns dias atrás. Eu sorri quando a vi e ela começou a correr na minha direção, sem olhar para os lados, consequentemente não vendo o carro que vinha a toda velocidade em sua direção.
Eu me levantei do banco apressada e sem pensar duas vezes corri na direção dela, com o coração disparado no peito, com medo de que não desse tempo. Aconteceu tudo rápido demais, sei que a alcancei e a empurrei para longe do carro e ela caiu sentada no chão, um segundo depois algo me acertou, eu me desequilibrei, bati a cabeça e tudo ficou escuro.
Quando abri os olhos de novo estava confusa, havia um tumulto de pessoas a minha volta, forcei meu corpo a se mexer e me sentei, sentindo uma dor irritante na cabeça. Percebi que ainda estava na rua do parque, no chão, Manuela estava do meu lado e o motorista do carro também, junto com um monte de outras pessoas.

__Hey, você devia ficar deitada, já chamamos a ambulância.
Eu não devia ter ficado desacordada por muito tempo.
__Eu estou bem__ disse, tirando a dor na cabeça e no meu tornozelo não parecia que tinha acontecido nada grave.
__Eu sinto muito__ o motorista do carro disse__ não consegui parar a tempo, ela correu pra frente do carro e...
__Não se preocupe, está tudo bem__ tentei acalmá-lo__ a menina se machucou?
__Eu estou bem__ Manuela sorriu pra mim e mostrou a mão, tinha uns arranhões e sangrava um pouquinho__ só ralei a mão.

Ela não parecia preocupada com o machucado, na verdade parecia achar até divertido o fato de estar sangrando, eu suspirei de alivio por ela estar bem, aquela tinha sido por muito pouco. Eu estava tentando me levantar e o motorista tentando me impedir, quando um carro chegou derrapando, parou de qualquer jeito e um homem saiu apressado de dentro, correndo em nossa direção. Com a dor na cabeça e a confusão, demorei um minuto para reconhecê-lo, era o pai da Manuela. 

__Manuela__ ele chamou, sua voz alta e preocupada__ Manuela?
__Aqui papai__ ela acenou pra ele sorrindo.
Ele abriu caminho de qualquer jeito pela multidão e a agarrou, a pegando no colo e a abraçando, com claro alívio.
__Oh Meu Deus, Manuela, tudo bem? O que aconteceu aqui?
__Eu estou bem papai__ ela disse e mostrou a mão pra ele também__ só ralei a mão.
Ele abaixou os olhos do rosto dela e finalmente me viu ali no chão.
__O que aconteceu?__ ele pôs Manuela no chão e se abaixou do meu lado.
__A menina atravessou a rua correndo__ o motorista do carro começou a se explicar__ eu não consegui parar a tempo, estava vindo rápido. Se não fosse por essa moça tê-la tirado do caminho não sei o que teria acontecido.
__Você está bem?__ ele me olhou com preocupação__ está sangrando.
__Foi só um corte__ eu disse, minha mão estava manchada com sangue por tê-la encostado no machucado, por isso não quis nem olhar, eu odiava ver sangue__ eu estou bem, ele só me acertou de lado, me desequilibrei e bati a cabeça.
__Eu vou te levar a um hospital.
__Não precisa__ tentei argumentar, eu também odiava hospitais e não era nada grave, eu só precisava voltar pra casa.
__Você salvou a vida da minha filha duas vezes__ ele disse, pensei que talvez não se lembrasse de mim, mas estava errada__ é o mínimo que eu posso fazer, vou te levar sim ao hospital, precisa ver se não teve nenhuma concussão.
__Eu já chamei a ambulância__ o motorista disse.
__Vai demorar para chegarem aqui, eu a levo__ ele disse decidido e me fitou com atenção__ consegue andar?
__Não sei.
Eles me ajudaram a ficar de pé, mas não consegui manter o peso pois meu tornozelo doía muito e quase fui ao chão, se o pai de Manuela não tivesse me segurado, eu provavelmente teria batido a cabeça de novo.
__Manuela, entra no carro__ ele ordenou.
Manuela correu e se enfiou no carro, no banco de trás. O pai dela e o motorista que me acertou me seguraram um de cada lado, me ajudaram a chegar ao carro, e me puseram com cuidado ao lado de Manuela no banco de trás.
__Eu sinto muito__ o motorista disse novo, preocupado e claramente se sentindo culpado.
__Está tudo bem, não foi sua culpa__ eu repeti, e realmente não tinha sido.

Chegamos no hospital em poucos minutos. Durante o caminho eu escorei minha cabeça no banco e fechei os olhos, teria adormecido se Manuela não tivesse falado o caminho todo. O Pai dela me ajudou a sair do carro, e me escorei nele para conseguir entrar no hospital, gemendo toda vez que punha o tornozelo machucado no chão, devia ter torcido. Mas para minha sorte o atendimento foi bem rápido e o médico era muito simpático, ele teve de dar alguns pontos no corte na minha testa, e Manuela e o pai ficaram o tempo todo comigo na sala. A melhor parte foi que acabou. 

__Pronto, terminou__ o médico anunciou__ vou receitar um remédio para a dor de cabeça, e a torção no tornozelo não é séria, ponha um pouco de gelo, descanse e ficará nova em folha.
__Que bom.
__Eu volto em um minuto__ ele disse e se retirou da sala.
__O que deu em você Manuela?__ o pai dela perguntou irritado__ porque saiu de casa sem avisar? Já disse um milhão de vezes que não deve andar sozinha nas ruas, é perigoso demais.
__Desculpe papai__ ela abaixou os olhos e fez um biquinho__ eu só queria encontrar a Demi de novo, ela prometeu que ia voltar pra ver minha coleção de bonecas.
Eu fiquei completamente sem fala diante daquilo. O pai dela me olhou e apenas suspirou a pondo no chão, não tinha como brigar com aquela menina, ela era um doce e incrivelmente fofa. O médico também tinha feito um curativo na mãozinha dela.
__Ela adorou você__ o pai dela comentou__ só falou de você desde aquele dia, mas não achei que ia fugir de casa pra tentar te achar. E a propósito, eu sou Joe Jonas, não me apresentei da ultima vez que nos vimos.
__É um prazer__ eu sorri__ ou quase isso.
__Você está bem?
__Vou sobreviver, não foi nada grave, não precisa se preocupar comigo.
__Você salvou a vida da minha filha__ ele murmurou acariciando o cabelo dela__ não sei o que teria feito se algo de ruim tivesse lhe acontecido. Obrigada, de novo, essa já é a segunda vez. Tem que ter alguma coisa que eu possa fazer para lhe agradecer.
__Saber que Manuela está bem é o suficiente pra mim, não precisa fazer nada.
__Vamos, eu faço questão, qualquer coisa__ ele insistiu__ vou me sentir melhor.
__É sério, não precisa fazer nada__ eu olhei no meu relógio, de repente lembrando da entrevista__ droga.
__O que foi?
__Eu tinha uma entrevista de emprego quinze minutos atrás__ expliquei fazendo careta__ agora é tarde.
__Está procurado emprego? Talvez eu possa te ajudar a conseguir alguma coisa, como forma de agradecimento.
__Realmente não precisa__ insisti, mas ele parecia determinado a me dar alguma coisa__ eu tenho outras entrevistas marcadas, concerteza vou conseguir alguma coisa. Mas se quer tanto me ajudar, uma carona pra casa seria ótimo. 

Era bom pra mim, não teria que esperar o táxi, poderia passar mais um tempinho com Manuela e Joe talvez se satisfizesse com isso.
__Tudo bem, eu te levo sem problemas.
__Você podia ser a minha babá Demi__ Manuela disse de repente.
__O que disse princesa?__ eu a olhei sorrindo, ela era tão fofa.
__Que você podia ser a minha babá, ia ser muito legal.
__Eu demiti a ultima babá__ Joe explicou__ a que abandonou ela no parque e ainda não consegui encontrar outra.
__Podia ser você Demi__ Manuela repetiu dando pulinhos__ ia ser muito legal, você cuidaria de mim, me levaria no parque, e eu poderia te mostrar a minha coleção de bonecas, agente brincaria junto, ia ser muito divertido... O que acha Demi?
Ela ficou me olhando com aqueles grandes olhos cinzas, esperando que eu respondesse, eu não soube o que dizer.
__Até que não é uma má ideia__ o pai dela disse, me pegando de surpresa__ eu preciso de uma babá e você de um emprego. Já cuidou de crianças antes?
__Bem, eu... Trabalhei de babá um tempo quando era mais jovem, e cuidava dos meus primos quando minhas tias precisavam de ajuda__ eu respondi um pouco sem jeito.
__Eu sei que pode parecer precipitado, mas você já provou que é honesta, salvou a vida da minha filha duas vezes, quase morreu e não pediu nada em troca mesmo podendo__ ele comentou__ é uma forma de eu te agradecer e todos saem ganhando, Manuela adora você, e seria algo temporário claro, enquanto eu não encontro uma babá e você um emprego.

__Eu não sei não__ eu estava na dúvida, aquilo era um pouco repentino, não era bem o que eu estava esperando.
__Olhe__ ele pegou um pedaço de papel e anotou alguma coisa__ você sabe onde fica minha casa. Esse aqui é o valor que eu pagava a outra babá__ ele me mostrou o papel com o valor do salário e UOU... Era bem mais do que eu ganharia se tivesse conseguido o emprego com a entrevista que perdi hoje__ o trabalho é de segunda a sábado, folga nos domingos e você teria um quarto para você na casa.
__Aceite Demi, aceite Demi__ Manuela disse sorrindo__ por favor, aceita.
__Não precisa aceitar se não quiser, e nem responder agora__ Joe disse__ foi só uma ideia. Eu realmente preciso de uma babá.
__Eu adoro sua filha, seria um prazer cuidar dela, só me pegou de surpresa, eu não conheço você e... Você não me conhece direito, tem certeza de que quer uma estranha cuidando da sua filha? Quer dizer... Eu sei que a salvei, mas não quer dizer nada.
__É exatamente por isso que sei que é honesta__ ele disse sério__ você nem ao menos sabe quem eu sou.
__Eu deveria saber?__ o encarei confusa.
Ele ignorou minha pergunta.

__Todas as outras babás que eu contratei faziam o serviço de má vontade e era claro que não davam a mínima para minha filha, somente para o meu dinheiro, fora que Manuela também não gostava de nenhuma delas__ ele comentou pegando a menina no colo__ mas ela gosta de você e dá pra ver que você também gosta dela. E depois de tantos anos e de tudo que já passei, eu aprendi a ver a verdade nas pessoas. Conheço uma pessoa honesta quando vejo uma.
Aquela era uma boa resposta. Mordi o lábio indecisa, eu não tinha ido muito bem nas minhas outras entrevistas, tinha perdido a de hoje e provavelmente me daria mal nas próximas. Mas eu precisava muito de um emprego, e o dinheiro que ele estava oferecendo, para cuidar de uma menina tão adorável parecia até um absurdo de tão bom que era.
Mas parando pra pensar um minuto... Aquela podia ser a chance que eu estava esperando, eu tinha a sensação que algo muito bom me aguardava, uma grande chance, quem sabe não era aquilo? Ser babá não era o que eu planejava, mas a oportunidade bateu em minha porta, então... Porque não deixá-la entrar?

__Seja minha babá Demi__ Manuela pediu, com os olhinhos brilhando.
__Manuela... __ Joe já ia repreendê-la por ficar insistindo, mas eu o interrompi.
__Quer saber__ eu respirei fundo__ eu aceito.
__Sério?__ ele pareceu surpreso.
__Sim__ concordei, não acreditava que estava mesmo fazendo aquilo__ eu vou adorar cuidar da sua filha, ela é um amor e o dinheiro vai ser muito bem vindo. Você pode olhar minhas referências para ter certeza sobre mim.
__Oba__ Manuela comemorou batendo palminhas.
__Ótimo__ Joe disse satisfeito__ pode começar então assim que se sentir melhor. Você já sabe onde fica minha casa, mas eu mando o meu motorista buscar você e as suas coisas. E tem mais uma coisinha que eu tenho que dizer antes de você aceitar o emprego.
__O que?__ o olhei desconfiada.
__Eu tenho outro filho, ele é um adolescente, tem dezessete anos, tecnicamente não precisaria de uma babá, mas gosto de manter alguém sempre de olho, ele é meio rebelde e gosta de aprontar só pra me contrariar__ ele explicou__ seria bom se pudesse ficar de olho nele também.
__Ah, sem problemas, eu tenho muitos primos mais novos que eu e sei como lidar com adolescentes.
__Então, é isso? Aceita o emprego?
__Claro__ concordei__ aceito. 

O médico voltou depois com a receita do remédio para dor de cabeça e para me recomendar descanso. Como havia prometido, Joe me deu uma carona até minha casa e falamos mais um pouco sobre o emprego, o resto dos detalhes acertaríamos quando eu fosse até a mansão, ele prometera mandar seu motorista me buscar. Manuela era a mais contente com aquela história toda.
Depois que eles foram fiquei sentada no sofá olhando para o papel com o valor do salário que ele oferecera. Não era o meu estilo aceitar proposta de emprego de estranhos, eu simplesmente não acreditava que estava mesmo fazendo aquilo, mas não tinha nada a perder. Que problemas eu poderia arrumar trabalhando como uma babá? Talvez fosse isso que eu precisava para recomeçar minha vida, fazer algo diferente e inesperado, arriscar um pouco. Afinal, eu não tinha nada a perder. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Two


Two




Tell me what to do about you
Something on your mind
Baby all of the time
You could bring out a room ♫♪


__Você está demitida__ eu disse para Cláudia - a babá que eu tinha contratado há uma semana para cuidar da minha filha Manuela - assim que ela entrou no meu escritório. Depois de largar minha filha de cinco anos sozinha no parque para “conversar” com o namorado, ela ainda tivera coragem de voltar até minha casa e fingir que nada tinha acontecido. 

__Senhor Jonas, por favor__ ela pediu, me interrompendo pela milésima vez__ foi tudo um mal entendido, eu não abandonei sua filha, eu só me afastei um pouquinho, eu... Não vai acontecer de novo, eu prometo.

__Claro que não vai acontecer de novo, porque você está demitida__ achei que não seria necessário dizer que ela estava no olho da rua, mas mesmo depois de repetir isso cinco vezes, ela continuava insistindo e tentando argumentar comigo, o caso é que nada que ela dissesse diminuiria minha fúria. Graças a esse episódio eu estava vinte minutos atrasado para o meu trabalho e eu odiava profundamente perder tempo.

__Não pode fazer isso__ ela implorou__ eu preciso do emprego.

__Talvez devesse arrumar um outro emprego, em outra área__ revidei nervoso__ tem noção do que você fez? Minha filha só tem cinco anos, ela podia ter morrido, ter sido atropelada ou seqüestrada. Uma estranha teve que trazê-la em casa, porque você, a mulher que contratei para cuidar dela, não estava fazendo o seu trabalho. Eu não te pago uma fortuna para que você fique por ai se agarrando com seu namorado, é uma irresponsável.
__Mas senhor Jonas...

__Não tem mas coisa nenhuma Cláudia, está demitida, fora da minha casa por favor__ eu ordenei apontando para porta__ saia ou vou ter que pedir que o segurança te acompanhe, você quem escolhe.
Finalmente ela desistiu, me deu as costas e saiu do escritório aos prantos. Geralmente eu não era tão rude, odiava destratar qualquer pessoa, ainda mais fazer mulheres chorar, mas quando se tratava dos meus filhos a história era outra. Cláudia já era a quinta babá que eu contratava em três meses, e todas elas eram incompetentes e não faziam o trabalho direito, não havia mais babás disponíveis na cidade que eu já não tivesse contratado e Cláudia era minha última esperança, agora eu não tinha ideia do que iria fazer.
Olhei no meu relógio. Vinte e cinco minutos de atraso e eu tinha uma reunião importante em meia hora. Arrumei rapidamente os papéis que eu precisaria para a reunião e os guardei na minha pasta, depois calcei rapidamente os sapatos e fui até a sala enquanto terminava de abotoar a camisa. Meu filho mais velho Matthew, de dezessete anos, estava jogado no sofá mexendo no celular, tentando se concentrar no que quer que fosse, enquanto Manuela se inclinava por cima dele para tentar ver o que ele estava fazendo, ela era uma menina muito curiosa. 

__Sai de cima Manuela__ Matthew resmungou irritado__ você está me atrapalhando.
__Só quero ver o que está fazendo__ ela disse ficando em pé em cima do sofá e se esticando mais um pouco.
__Nada que te interesse, não é assunto para crianças__ ele se virou um pouco de lado, escondendo a tela do celular para que ela não conseguisse enxergar. Eles passavam a maior parte do dia assim, Matt perdido no seu mundinho adolescente, e Manuela querendo um pouco da atenção dele.
__Parem com isso vocês dois__ eu ordenei largando a pasta na poltrona e dando o nó da gravata__ Manuela, deixe seu irmão em paz um pouco, e Matt, seja mais educado, ela só tem cinco anos.
__Que seja__ ele revirou os olhos.

Com o Matt era sempre assim, toda vez que eu lhe pedia alguma coisa, ele se limitava a revirar os olhos e responder com não mais que duas ou três palavras e tudo que eu dizia parecia irritá-lo profundamente, não importava o que fosse. 

__Eu tenho que ir trabalhar, já estou atrasado__ avisei__ será que pode cuidar da sua irmã pra mim?
__Que eu me lembre ela tem uma babá__ ele disse sem tirar os olhos do celular.
__Papai demitiu ela__ Manuela disse.
__De novo?__ ele ergueu os olhos para me fitar com incredulidade__ já é a milésima babá que você dispensa.
__Eu tenho meus motivos, você vai cuidar da sua irmã está ouvindo?
__Não posso__ ele se levantou, guardando o celular no bolso.
__Como assim não pode?
__Não podendo__ resmungou e começou a caminhar em direção ao quarto, ele escolhera uma péssima hora para me irritar.
__Volta aqui agora Matthew, eu não estou brincando__ ordenei irritado__ estou falando com você e quero uma resposta.
Ele parou no meio do caminho, respirou fundo uma vez, depois se virou para me olhar com ar debochado no rosto.
__Tenho que estar na escola em uma hora__ ele finalmente respondeu__ tenho uma apresentação para fazer, da feira de ciências, que vale mais da metade da minha nota do semestre. Aquele trabalho que eu passei o mês todo fazendo, lembra disso senhor Jonas? 

__É pai__ resmunguei, odiava quando ele me chamava de senhor Jonas__ porque não me disse que era hoje?
__Eu disse, duas semanas atrás__ ele me lembrou__ e de novo ontem à noite, você até mesmo prometeu que arrumaria um tempo para ir me ver, mas não se preocupe, não criei ilusões. Você se lembraria disso se alguma vez prestasse atenção em alguma coisa que eu digo, mas estava ocupado demais pensando em si mesmo.
__Hey, cuidado como fala moleque...
__Desculpe__ ele murmurou em tom debochado__, mas vai ter que arrumar outra babá... Senhor Jonas.
E então saiu correndo, subindo as escadas em direção ao quarto e me deixando ali plantado.
__Tudo bem papai?__ Manuela estava sentada no sofá me olhando curiosa.
__Não, não está tudo bem__ suspirei__ CLARISSA.
Clarissa, minha empregada, que trabalhava para mim há dez anos, surgiu correndo da cozinha para atender o meu chamado.
__Algum problema senhor Jonas?__ ela perguntou.
__Preciso que cuide da Manuela pra mim, tenho uma reunião importante e Cláudia não trabalha mais conosco.
__Desculpe senhor, eu não posso__ ela disse envergonhada__ Tânia não veio hoje, pois estava passando mal, tenho que cuidar da comida e da arrumação da casa sozinha, se ficar de olho na sua filha não vou poder fazer mais nada.
Era bem verdade, Manuela era uma criança super ativa, estava aprontando alguma coisa toda hora, sempre em movimento, não tinha como vigiá-la e tentar fazer outra coisa ao mesmo tempo, era uma tarefa praticamente impossível. 

__Mas, se o senhor não se importar que eu deixe as tarefas de lado e...
__Não, esqueça__ a interrompi__ eu vou levá-la para o trabalho comigo, será que pode ao menos arrumá-la pra mim?
__Sim senhor__ ela concordou, então pegou Manuela e sumiu em direção ao quarto.

Aquele era um péssimo dia para dar tudo errado daquele jeito. Manuela tinha escola na parte da manhã, mas como era sábado ela estava em casa e eu dependia da babá para ficar de olho nela, não seria um grande problema se Matthew não tivesse compromisso, ele reclamava de tudo, mas quando tinha tempo não se importava de ficar um pouco com a irmã. Mas agora eu teria de levá-la comigo para o trabalho e arrumar alguém para vigiá-la enquanto participava da reunião.
Esperei por mais cinco minutos até que Clarissa voltou com Manuela arrumada. Eu tive que sorrir quando a vi, estava usando um vestido lilás que a mãe comprara pra ela alguns anos atrás, na época Manu era ainda um bebê e o vestido não cabia, mas parecia que ela sabia que ficaria perfeito, Manuela parecia uma princesa quando o usava. 

__Estou bonita papai?__ ela perguntou.
__Está sim__ concordei__, mas temos que ir, papai está atrasado.
Peguei-a no colo e a pasta em cima do sofá.
__Obrigada por arrumá-la Clarissa.
__Tudo bem Senhor Jonas.
Sai de casa apressado, levava pelo menos vinte minutos para eu chegar à empresa, supondo que o trânsito estivesse bom, o que eu duvidava muito devido a minha sorte. Arthur, meu motorista, já estava à espera ao lado do carro.
__Bom dia senhor Jonas.
__Bom dia Arthur. Eu vou dirigindo hoje tudo bem? Você fica aqui, talvez o Matthew precise de você.

Matthew ainda não tinha tirado a carteira de motorista e precisava sempre que alguém o levasse quando queria ir a algum lugar, o que não o deixava muito feliz, ele dizia que o fazia parecer uma criança. Uma vez ele saiu escondido com um dos meus carros, por sorte não aconteceu nada de ruim, mas ele me arrumou uma bela dor de cabeça e horas de sermão da avó que tinha vindo visitá-los aquele dia. Eu amava minha mãe, mas ela podia ser bem chata quando queria. 

__Como quiser senhor.
Arthur abriu a porta do carro pra mim, coloquei Manuela no banco de trás, pus o cinto de segurança nela e entrei logo depois. Manuela não se calou um minuto sequer durante todo o caminho, o que não ajudou em nada a melhorar o meu humor, eu gostava de silêncio quando ia para o trabalho, ainda mais quando teria uma reunião importante, não conseguia pensar com ela falando o tempo todo, mas ela parecia tão contente que eu não podia mandá-la se calar. Ela falou o tempo todo sobre a mulher que tinha conhecido no parque e a tinha ajudado, parecia que tinha gostado muito dela.
Eu já estava quase chegando à empresa quando meu celular começou a tocar. Eu o atendi, foi difícil ouvir alguma coisa com Manuela tagarelando do meu lado e o barulho do trânsito, mas prometi a mim mesmo que não ia me estressar ainda mais. 

__Joe falando__ atendi o celular.
__Joe, é a Selena__ Selena era minha secretária, e também uma grande amiga da família.
__O que foi Selena? Algum problema?
__Só liguei para saber se estava tudo bem, você está atrasado e... Você nunca se atrasa__ ela disse__ a reunião vai começar em menos de dez minutos, aconteceu alguma coisa?
__Quando ela vai voltar para ver a minha coleção de bonecas papai?__ Manuela me perguntou tirando minha concentração por um momento__ ela prometeu que voltaria.
__Hum, eu não sei querida__ respondi__ fica quietinha, por favor, o papai está no telefone.
__Tudo bem papai__ ela concordou.
__O que foi que disse?__ Selena questionou confusa do outro lado da linha.
__Eu estava falando com a Manuela, escuta... Eu já estou chegando tudo bem?
E desliguei o telefone antes que ela pudesse perguntar mais alguma coisa. Três minutos depois eu finalmente consegui chegar à empresa, estacionei o carro na minha vaga de sempre, peguei minha pasta e Manuela e entrei no prédio.
__Bom dia senhor Jonas__ Charlie, que cuidava do elevador, me cumprimentou quando entrei.
__Bom dia Charlie. 

Eu trabalho na JI, Jonas Internacional, é um negócio de família. A JI é a empresa de publicidade mais famosa do mundo e eu sou o presidente. O negócio começou com o meu pai, ele construiu a empresa com muito sacrifício, e eu acabei herdando a empresa, já que meu irmão mais velho Kevin nunca se interessou pelo império. Ser um publicitário rico e famoso não era bem o que eu pretendia para minha vida, meus sonhos e objetivos eram outros, mas acabei percebendo o que era melhor pra mim... Meus filhos e meu trabalho são a minha vida agora e tudo que me importa.
Quando finalmente cheguei ao meu andar, o 21°, fui direto em direção a minha sala. Selena estava sentada em sua mesa do lado de fora falando ao telefone, mas o largou imediatamente quando me viu e se levantou, vindo em minha direção. 

__Meu Deus Joe, você está uma hora atrasado pro trabalho e dois minutos para Reunião, o que foi que aconteceu?
__Problemas familiares__ fiz um gesto com a cabeça na direção da Manuela e só ai Selena pareceu percebê-la.
__Ah, oi gatinha, tudo bem?
__Tudo bem sim tia Selly.
__Os Franceses já chegaram__ ela avisou.
__Só preciso de mais um minuto.

Entrei na minha sala e dei de cara com Peter sentado na minha cadeira, com os pés em cima da minha mesa. Qualquer pessoa que se atrevesse a fazer algo assim eu poria no olho da rua, mas Peter era meu melhor amigo desde que éramos crianças, quase um irmão, e um irmão extremamente chato e abusado de vez em quando e não era a primeira vez que ele fazia aquilo.

__Bom dia Bela adormecida__ ele olhou no relógio__ está atrasado.
__Eu sei, será que dá pra tirar os pés da minha mesa?__ reclamei e dei um empurrão nos pés dele, a cadeira que estava meio virada voltou à posição normal num movimento rápido e ele quase caiu.
__Hey, vai com calma__ ele disse rindo__ o que aconteceu?
__Oi tio Peter__ Manuela sorriu e depois acenou pra ele.
__Oi princesa__ Peter sorriu de volta e depois me olhou__ foi ela que aconteceu?
__É uma longa história e não tenho tempo pra conversa fiada, desculpa Peter__ arrumei todos os papéis que precisaria para a reunião e olhei no relógio__ pode ficar de olho nela pra mim?
__O que?
__Não posso levar ela pra reunião comigo Peter, me ajuda__ implorei__ é só enquanto eu estou na reunião prometo, ela vai se comportar, não vai querida? Pelo papai.
__Sim papai__ ela concordou.
__Tudo bem__ ele revirou os olhos e se levantou da cadeira pegando Manuela no colo__ faço isso por ela, e não por você. Porque eu adoro essa princesinha linda__ beliscou a bochecha dela e Manuela riu, ela adorava Peter__ quer brincar com o tio divertido Peter enquanto papai chato trabalha?
__Quero sim__ ela bateu palminhas.
__Fico te devendo essa. 

Sai da sala antes que ele pudesse fazer outra gracinha, mas ainda o ouvi gritar algo sobre cobrar o favor. Passei apressado pela porta e pelo corredor, Selena veio correndo atrás de mim, tentando me acompanhar e quase tropeçando por conta dos saltos.

__Devagar Joe__ ela reclamou.
__Não tenho tempo Selena, eu estou atrasado.
Ela apressou o passo e se enfiou na minha frente bloqueando meu caminho, respirou fundo um minuto antes de falar.
__Você esqueceu o DVD da apresentação__ ela entregou pra mim.
__Oh, verdade, essa foi por pouco__ peguei o DVD__ valeu Selena, não sei oque seria de mim sem você.
__Estaria completamente perdido__ disse em tom debochado.
__Eu só não discuto com você porque é verdade, agora sai da frente, eu tenho que ir.
Gentilmente eu a tirei do caminho e segui apressado até a sala de reunião. Os Franceses pra quem eu tinha que fazer a apresentação da nova campanha já estavam a minha espera. Parei um segundo na porta, respirei fundo uma vez para me recompor, ajeitei a gravata, pus um sorriso no rosto e entrei na sala... Hora do Trabalho. 


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

One


-One-


It's time to forget about the past
To wash away what happened last ♫♪

Todo mundo quer uma segunda chance. Uma segunda chance pra acertar a vida, pra não cometer novamente os mesmos erros do passado, pra fazer as coisas do jeito certo e seguro. Aquela era minha terceira chance, e eu não pretendia desperdiçá-la. Depois de ter o coração pisado duas vezes e ter jogado uma vida promissora pela janela você passa a ver o mundo de uma forma diferente, eu pelo menos via as coisas de uma nova perspectiva, estava finalmente pronta pra me focar no que era realmente importante. Uma nova cidade, um novo emprego, uma nova vida, era tudo que eu precisava. 
Tinha acabado de sair de uma entrevista de emprego, não tinha certeza se tinha me saído bem, mas tentava me manter confiante. Como estava calor aquela tarde, resolvi parar um pouco no caminho e tomar um sorvete antes de voltar pra casa, não lembrava quando tinha sido a ultima vez que parara pra apreciar a beleza da natureza e tomar um ar fresco, então resolvi me sentar um pouco no parque que tinha ali por perto e curtir um pouco o sol na minha pele.
Eu não era uma mulher de muita sorte, já tinha comprovado isso de várias maneiras diferentes e aquele dia não parecia que seria diferente, não havia me sentado nem há dois minutos quando uma bola de futebol dos meninos que jogavam ali no parque veio voando em minha direção tão depressa que nem a vi chegar e não tive tempo de desviar. Ela bateu direto na minha mão, me causando uma dor terrível pela velocidade e a força e ainda espalhando o sorvete de morango pela minha recém comprada blusa branca. 

__Desculpe senhora__ um dos meninos disse me encarando de olhos arregalados, parecia que estava esperando que eu fosse sacudi-lo pelos ombros ou dar-lhe uns tapas__ foi um acidente, sinto muito.
__Está tudo bem__ eu sorri para lhe acalmar, já estava acostumada a acidentes do tipo__ não se preocupe.
O garoto pegou a bola no chão e depois ficou me encarando distraído, esperei que ele me dissesse alguma coisa, quando então percebi que ele fitava minha blusa, o sorvete derretera deixando a blusa branca transparente e revelando meu sutiã rosa de renda.
__Perdeu alguma coisa aqui?__ eu disse agora irritada__ anda garoto, volta pros seus amigos vai.
__Ok__ ele concordou e saiu correndo, tropeçando nos próprios pés... Crianças. 

Oficialmente aquele não era mesmo meu dia. Levantei-me pra ir embora, antes que eu fosse atacada por um cachorro ou atropelada, o que era bem provável que acontecesse comigo, mas parei no lugar quando olhei na direção dos balanços do parque e vi uma garotinha em pé ali, não devia ter mais que cinco anos e olhava em volta assustada, chorando. Eu não tenho filhos, a vida não me deu a oportunidade de ter essa alegria, mas sempre adorei crianças, e ver aquela menininha chorando me partiu o coração, então muito calmamente eu caminhei até ela e me abaixei a sua frente. 

__Oi princesa__ eu falei baixinho pra não assustá-la ainda mais e sorri docemente__ porque você está chorando? Está machucada?
Ela balançou a cabeça timidamente, negando. Tinha os cabelos negros presos num rabo de cavalo com um chuchinha cor de rosa, combinando com o vestido fofo e lindos olhos cinzas, atentos.
__Qual o seu nome?__ eu perguntei.
__Manuela__ ela disse tão baixo que quase não escutei.
__Manuela__ eu sorri__ que nome bonito, parece um nome de princesa. O meu nome é Demi. Onde estão os seus pais?__ eu perguntei olhando em volta, não parecia que ninguém tinha perdido um filho por ali.
__Meu pai está em casa__ ela sussurrou baixinho.
__Você veio para praça sozinha?__ eu não achava possível, devia ter alguém com ela ali.
__Minha babá me trouxe__ respondeu passando as mãozinhas pelo rosto para limpar as lágrimas.
__E onde ela está agora?
__Ela foi embora, um homem feio apareceu e ela começou a conversar com ele__ explicou com uma vozinha manhosa__ ela disse para eu esperar aqui, mas não voltou mais. Eu quero ir pra casa.
__Ela deixou você sozinha aqui?__ eu disse indignada, que tipo de pessoa irresponsável deixaria uma criança tão nova sozinha desse jeito na rua?__ escuta princesa, sua casa é longe daqui? Você sabe onde fica?
__Sei__ ela concordou__, mas o papai disse que eu não devo andar na rua sozinha.
__Ele é um homem esperto__ eu sorri pra ela__ se você me disser onde fica sua casa, eu posso te levar pra lá, assim você não tem que voltar sozinha e desobedecer o seu pai. O que acha da ideia?
__Tudo bem__ ela concordou com um tímido sorriso.

Eu a peguei no colo, limpando as lágrimas do seu rostinho e ela me indicou a direção em que ficava sua casa. Enquanto caminhava tentei puxar assunto, ela era uma menina muito inteligente e me deixou completamente encantada. Enquanto olhava pra ela ficava imaginando como seria ter uma filha minha, eu sabia que nunca aconteceria, tinha perdido as esperanças a um tempo de ter uma família, porque pra isso era preciso de amor, e se tinha uma coisa que eu aprendi nesses últimos anos com as minhas desilusões é que amor verdadeiro não existe. 

__Então Manuela, quantos anos você tem?
__Cinco__ ela respondeu reforçando a resposta me mostrando os dedos da mão.
__Uh, já é uma mocinha__ sorri pra ela__ já está na escola?
__Sim__ ela concordou__ minha professora disse que eu sou a mais esperta. Assim como meu irmão.
__Você tem um irmão? Ele é fofo assim igual a você?
__O nome dele é Matthew, ele é mais velho que eu e chato.
__Os irmãos são sempre assim__ eu ri da resposta dela. 

O caminho do Parque até a casa de Manuela levou pelo menos dez minutos e quando ela me apontou sua casa eu fiquei boquiaberta. A casa, ou seria mais correto dizer “mansão”, ficava na área nobre do bairro e olhando de fora era simplesmente enorme. Nós seguimos por um caminho entre algumas árvores até alcançar a entrada, que era fechada com um enorme portão e tinha um segurança na porta, de terno, óculos escuros, e uma expressão nada amigável.
__Senhorita Jonas__ levei um segundo para compreender que ele falava com Manuela e não comigo.
__Oi Gordon__ a menina sorriu pra ele__ essa é minha amiga Demi.
__Oi__ ele disse sério.
__Eu encontrei a menina no Parque sozinha e vim devolvê-la aos pais__ expliquei ficando um pouco nervosa. Eu não era rica, nunca tinha visto um grandalhão daqueles assim de perto e podia apostar que meu antigo salário não pagava nem um copo usado numa casa como aquela.
__O senhor Jonas está em casa__ ele disse e destrancou o portão__ pode entrar, é só seguir direto.
__Obrigada.
Passei pelo portão e atravessei o jardim de entrada ainda carregando Manuela e simplesmente maravilhada com a beleza daquele lugar, a decoração do jardim era de muito bom gosto, com muitas flores e plantas exóticas. Era o tipo de lugar que você mora em seus sonhos loucos e não na vida real. Subi os degraus na entrada e toquei a campainha, trocando a menina de braço, pois ela era pesada e eu estava começando a ficar cansada, ouvi vozes lá dentro e esperei um tempinho até que alguém aparecesse para abrir a porta.

__Sua casa é muito bonita__ comentei com Manuela.
__A Clarissa não gosta, ela é diz que é horrível para limpar.
__Aposto que sim__ concordei, eu cobraria uma nota pra fazer faxina num lugar daquele, um dia não seria suficiente.
A porta finalmente se abriu, eu esperava ser atendida por uma empregada com aqueles vestidinhos e avental que agente vê nos filmes, parecia à cara daquele lugar, mas ao invés disso quem abriu a porta foi um homem. Ele devia ter uns trinta e poucos anos, os cabelos negros ondulados estavam molhados, ele vestia uma calça social preta, descalço e sem camisa, deixando a mostra um corpo musculoso que arranca facilmente suspiros, era um homem lindo e deduzi que fosse o pai de Manuela, a semelhança era inegável. Os olhos castanhos se estreitaram ao me ver.
__Manuela__ a menina se esticou na direção dele, que a segurou, a tirando do meu colo.
__Oi papai__ ela sorriu jogando os bracinhos em volta do pescoço dele.
__O que aconteceu? Cadê a Cláudia?__ e então ele me encarou confuso__ quem é você?
__É a minha amiga Demi__ Manuela respondeu antes que eu pudesse me explicar.
__Desculpe senhor, meu nome é Demi Lovato__ me apresentei__ eu estava no Parque e vi a sua filha sozinha lá chorando, eu fiquei com pena e quis ajudar. Ela me disse que a babá tinha a abandonado, então eu a trouxe para casa.
__Cláudia abandonou você?__ a fúria inundou seus olhos__ eu não acredito nisso, sabia que não devia ter aceitado contratar aquela mulher irresponsável.
__Por sorte nada de ruim aconteceu__ eu comentei.
__Graças a você, muito obrigado por tê-la ajudado__ ele disse__ não sei o que teria feito se algo acontecesse a ela.
__Foi um prazer ajudar, a sua filha é um encanto__ eu sorri acariciando o rosto da pequena.
__Posso fazer alguma coisa para agradecer?__ ele se ofereceu.
__Não precisa__ eu garanti__ o importante é que ela está bem.
Senti que os olhos dele me analisaram rapidamente, dos pés a cabeça, mas se demoraram mais do que devia nos meus seios. Olhei pra baixo e percebi que minha blusa ainda estava transparente e corei envergonhada.
__Eu tive um pequeno acidente__ expliquei__ com sorvete e uma bola... Longa história.
__Claro__ ele concordou desconcertado__ obrigada mais uma vez por ter ajudado a Manuela.
__Demi, quer ver a minha coleção de bonecas?__ Manuela perguntou sorridente__ papai me deu uma barbie nova no meu aniversário, ela é linda, tem até uma bolsa.
__Aposto que é linda sim, eu adoraria ver, mas tenho que ir embora__ infelizmente eu tinha que deixá-la, só tinha passado uns quinze minutos com ela, mas tinha me apegado à menina, ela era um amor e era difícil não se encantar__ foi um prazer te conhecer princesinha.
__Tudo bem__ ela fez uma carinha triste__ eu te mostro outro dia.
__Claro__ concordei mesmo sabendo que eu não voltaria a vê-la__ bem, eu vou indo.
__Tudo bem, e mais uma vez obrigada. 

Desviei o olhar da beleza desconcertante daquele homem e me virei para ir embora. Aquele era o tipo de homem que mamãe aprovaria pra mim, bonito e podre de rico, mas já fazia quase dois anos desde que eu tivera alguém em minha vida, foi a ultima decepção que me permiti ter e desde então eu descarto discretamente todos os pretendentes que minha mãe me arruma. Eu tentava convencê-la de que não precisava de um homem em minha vida para ser feliz, definitivamente eu estava melhor sem eles, mas ela nunca me ouvia mesmo, dizia que eu era jovem demais para ficar sozinha, e eu respondia que era jovem demais para ter o coração pisado mais de duas vezes e ela se calava por tempo, mas no fim das contas sempre voltávamos a mesma inútil discussão.
Demorou até que eu conseguisse pegar um táxi, mas a viagem de volta para casa foi rápida e dei graça a Deus quando passei pela porta, me jogando de qualquer jeito no sofá da sala. Comparada aquela enorme mansão, minha casa era bem pequena. Tinha apenas cinco cômodos. Um banheiro, uma cozinha, uma sala e dois quartos, um meu e um da minha mãe.
Não tínhamos dinheiro, éramos pessoas extremamente simples e tinha ficado pior depois do fracasso do meu noivado. Minha mãe estava tão feliz que eu me casaria, que insistiu que gastássemos o dinheiro da poupança que juntamos por tantos anos com os preparativos, ela disse que eu me casaria somente uma vez e que merecia um casamento de princesa. Eu fui estúpida o bastante para aceitar, comprei um vestido lindo e caro, gastei com salão de beleza, bufê e tudo que se tinha direito, para que no fim das contas, o idiota do meu noivo fugisse e me deixasse plantada na porta da igreja, sozinha e aos prantos.
Era suposto que eu deveria ter aprendido a lição depois da primeira vez, quando peguei meu outro noivo transando na nossa cama com minha melhor amiga, mas achei que um raio não caia duas vezes no mesmo lugar. Esse ditado é uma tremenda idiotice. Depois disso, minha vida começou a desandar totalmente, não havia reembolso para o dinheiro que gastei, eu estava tão acabada de tristeza que acabei esquecendo um pouco de viver e fui demitida do meu emprego, que era a única fonte de renda da nossa casa e tivemos que vender algumas coisas para arcar com certas despesas, até que alguns meses atrás, depois de tanto sofrimento eu finalmente resolvi acordar.
Minha mãe tentava me animar com encontros, dizendo que Chad e Alex, os dois homens que me enganaram não prestavam, mas que nem todos os homens eram assim, mas cada homem que eu conhecia só fazia eu me sentir pior.
Foi ai que pensei que não deveria deixar que um homem destruísse assim a minha vida, eu era superior, era melhor que isso, não dependia de homem nenhum para viver, e resolvi que daria a volta por cima. Vendi nossa antiga casa, que era um pouco grande para apenas nós duas e gerava uma despesa desnecessária. Mudamos de cidade, pois eu queria me afastar das más lembranças que a antiga cidade me trazia e compramos uma casa menor, perfeita para nós, depois de arrumarmos tudo, acabarmos com a mudança e estarmos instaladas, resolvi ir atrás de um novo emprego, essa era a parte mais difícil, mas eu não perderia as esperanças. Ia provar que eu era capaz de viver muito bem sozinha e prometi a mim mesma que nunca mais, homem nenhum pisaria em mim. Eu estava indo bem até agora.

__Querida, você já chegou__ minha mãe sorriu pra mim e se sentou ao meu lado no sofá, puxando minhas pernas para cima do seu colo e tirando minhas sandálias de salto, começando uma boa massagem. Ela sabia bem como me fazer relaxar__ como foi a entrevista de emprego?
__Não sei mãe, acho que não fui muito bem__ confessei um pouco frustrada, era a segunda entrevista que eu fazia, mal tinha começado, não ia desanimar__ de qualquer forma, acho que aquele trabalho ainda não era o certo pra mim, vou continuar procurando, a senhora vai ver, logo, logo, estarei empregada e as coisas vão melhorar para nós.
__Tudo bem querida__ ela sorriu docemente__ sei que você vai conseguir.
Minha mãe era minha melhor amiga, embora ela não me entendesse completamente e não aceitasse a minha decisão de continuar sozinha, ela sempre me dava apoio quando eu precisava, me consolava quando eu estava triste e me incentivava em minhas aventuras, por mais loucas que fossem. Ela era a única com quem eu podia realmente contar e não queria decepcioná-la de novo.
__Eu sinto que algo incrível vai acontecer mãe__ a fitei profundamente__ Minha vida vai mudar, eu tenho certeza.
Eu tinha essa sensação de que algo incrível me esperava, eu só precisava descobrir o que era.